
O Atlético-MG acendeu o sinal de alerta em seus bastidores financeiros nesta segunda-feira (19). A ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão da CBF responsável por fiscalizar as regras de fair play financeiro no país, emitiu uma advertência pública ao clube devido a pendências financeiras envolvendo transações com outras equipes da Série A. Se os débitos não forem quitados nos próximos 45 dias, o Galo corre o risco real de sofrer um transfer ban, o que impedirá o clube de registrar novos reforços em competições nacionais.
O processo julgado pela agência em primeira instância apontou atrasos de pagamentos relacionados a dois atletas com nomes bastante semelhantes: o zagueiro Vitor Hugo e o meio-campista Victor Hugo.
Quais são as dívidas do Atlético-MG apontadas pela ANRESF?
O imbróglio financeiro do Alvinegro envolve duas frentes de negociação no mercado nacional:
- Bônus por Vitor Hugo (Bahia): Ao contratar o zagueiro junto ao Bahia, o Atlético-MG firmou uma cláusula que previa o pagamento de um bônus de 100 mil euros (cerca de R$ 597 mil na cotação atual) caso o atleta atingisse a meta de 15 partidas como titular. A meta foi alcançada, o gatilho venceu em maio de 2026, mas o repasse ainda não foi efetuado.
- Taxa de vitrine por Victor Hugo (Santos): O meio-campista Victor Hugo foi comprado em definitivo pelo Atlético-MG junto ao Flamengo. No entanto, o jogador estava emprestado ao Santos na ocasião. O contrato de empréstimo garantia ao Peixe uma taxa de vitrine equivalente a 10% sobre o valor da transação caso a preferência de compra não fosse exercida, quantia que também restou pendente por parte do clube mineiro.
Defesa rejeitada e o prazo para o transfer ban
Durante o julgamento, a defesa jurídica da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG tentou reverter a penalidade. Os advogados argumentaram que os débitos seriam incluídos em um plano coletivo de credores junto à CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) e em acordos tributários vigentes.
Contudo, a ANRESF rejeitou a alegação, justificando que não houve a formalização necessária dos acordos até o prazo regulamentar exigido pela entidade de controle.
Com a publicação da advertência, o cronograma passou a correr: o Atlético-MG tem 45 dias para liquidar as pendências ou apresentar um acordo formal homologado com Bahia e Santos. O descumprimento do prazo resultará no bloqueio imediato de inscrições de atletas.
O posicionamento oficial da diretoria do Galo
Apesar do tom de alerta que a notícia gerou entre os torcedores nas redes sociais, a diretoria do Atlético-MG se manifestou de forma tranquila por meio de nota oficial enviada à imprensa.
O clube informou que já trabalha nos bastidores para solucionar as pendências com os dois clubes credores dentro do prazo regulamentar. A cúpula atleticana ressaltou, inclusive, que possui valores pendentes a receber de alguns desses mesmos parceiros comerciais, o que pode facilitar uma composição amigável.
A expectativa interna da SAF é solucionar os débitos antes que qualquer restrição de mercado seja aplicada, permitindo que a comissão técnica siga o planejamento esportivo para a reta final do Campeonato Brasileiro e demais competições da temporada de 2026.